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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Estar no momento presente

Parei de trabalhar no hospital (de palhaço - para aqueles que começaram no blog agora.)
Desde que iniciei na universidade.
Esses dias recebi esse e-mail que minha coordenadora mandou com a fala da psicóloga do hospital:

"Prezada Cr.,
A ação de natal foi bastante divertida. Dei muitas risadas com a Dra. KIKI, assim como os pacientes e funcionários. Ela é engraçada. Na hora da intervenção, como eram 4, foi necessário dividir de 2 em 2 para cada quarto/leito. Pois algumas crianças se assustaram com tantos Clowns. Os funcionários não cansam de perguntar pelo Dr. Domdom e pela Dra. Provisória. Mas no geral foi muito bom. [...]"


Dra. Provisória sou eu. E o Domdom meu precioso parceiro.


Às vezes penso que "tudo" se resume à entregar-se.
A estar no momento presente. Com desejo. Disposta a jogar. Com desejo.



Nós dois e um funcionário do hospital.

A técnica colabora, mas o brilho de desejo nos olhos.... isso não se ensina... no máximo se dá a mão no estímulo à procura do outro (o "aprendiz")...

Saudade Domdom.
cAROL

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sobre pais que valem a pena...

Atenção: tem fantasma na pediatria!

Conhecemos a linda garota Bibi, que estava acompanhada de seu pai. Bibi é um pouco tímida e toda vez que a encontrávamos ela estava numa cama diferente. E isso já era motivo para especularmos se ela tinha pago as contas ou foi caso de despejo mesmo.

De repente, coisas estranhas aconteceram quando estávamos perto da Bibi e seu pai. Estávamos nós três, a Dra.Tan Tan, o Dr.Ado e eu, Dr. Marciano, atendendo a Bibi quando subitamente aparece um fantasma neste quarto. Claro que nós três, todos frouxos, morremos de medo. Fomos nos esconder no banheiro, mas não adiantou, o Gasparzinho atravessa as paredes e cá estava no banheiro nos assustando novamente e corremos feito três mulas desgovernadas sem rumo.

Outro dia, outro encontro e de novo o fantasma, eu até tentei me disfarçar de fantasma, já que eu tenho um bronze de tapioca, mas que nada, ele botou a gente pra correr!

Outro encontro, mais peripécias com o fantasma e era falar no dito cujo, que a alma aparecia. Já sabíamos que era o pai da Bibi desde o início, pois era fascinante a alegria dele quando se transformava em fantasma com um lençol cobrindo a cabeça e o corpo. Se brincar, ele era mais criança que a Bibi e todos nós! Quando chegávamos ao quarto ele já botava o lençol no colo se preparando e na primeira oportunidade ele se transformava para entrar em ação. Ele se divertia muito junto com todos da enfermaria e nós.

E foi assim por vários encontros. Ele, um grande parceiro em nosso ofício. Uma ponte forte e segura entre nós (besteirologistas) e a tímida Bibi. Viva os pais, mães, enfermeiras, médicos e funcionários que são tão bobos quanto nós!

Dr. Ado (Arilson Lopes)

Dr. Marciano (Márcio Carneiro)

Dra. Tan Tan (Tâmara Lima)

In:http://www.doutoresdaalegria.com.br/blog/?p=195

sábado, 8 de maio de 2010

Vídeo de colegas de profissão

Alguns deles, nos conhecemos em curso em São Paulo, Campinas.
Gente que como eu, trabalha pra construir a profissão palhaço e nesse momento do vídeo também estão no hospital.

Junta Medicômica from Olaria GB on Vimeo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Palhaço no hospital - aprendizado e mais aprendizado.

Esses dias eu e o Dr. Domdom temos feitos muitos trabalhos seguidos nos hospitais.
Entre fracassos e descobertas...
sinto mais uma vez o presente da vida que foi essa oportunidade de trabalho.

Tenho aprendido muito.
Sobre o meu palhaço, sobre segurança, sobre insegurança... Sobre parceria, sobre pré-conceito, sobre a quebra dele... jogo, generosidade, parceria (já falei?), construção de relações...
Tenho me perdido muito... como fazer pra funcionar? Tateio, experiência...

Esses vídeos são de uma intervenção hospitalar.
Neles, Dra. Provisória (apelido Ludovica Pandolfa Bereba Primeira), Dr. Domdom, o Daniel se debatendo e a mãe dele filmando.




segunda-feira, 8 de março de 2010

A força no olhar...

Ontem no hospital... eu quis chorar... minhas lágrimas chegaram a aparecer... mas empurrei-as pra dentro... aquele corpo torcido pela paralisia cerebral com gemidos de dor intermitentes e sem parar... me faziam dor...
Como ajudá-lo, como arrancar dele aquela dor que há dias ninguém consegue descobrir...
Dra. Sirene com bola de sabão... largou logo e segurou a mão dele... condoída ao ver a cena...
a bola de sabão veio parar na minha mão... como se eu conseguisse fazer alguma... mas eu fiz e ele olhava para elas... Dra. Sirene dizia "Vai passar, vai passar, vai passar..." Era visível sua vontade de que passasse.
Eu não ousaria dizer que ia passar... mas, depois de algumas bolas de sabão coloquei minhas mãos, nos peitos e nas costas, apertando sem machucar como se quisesse, eu, sem nada saber, encontrar onde estava a dor e fazê-la passar com minhas mãos... chamei o René... foi um impulso, me veio ele... às vezes ele parava de gemer... queria eu que fossem minhas mãos... mas acho que era o cansaço do longo tempo sentindo dor e contraindo a musculatura... em alguns momentos ele olhava em meu olhos e eu tentava com toda minha vontade dizer-lhes, em meu olhar: "tenha forças, não desista!"
Já é um forte quem se propõe nascer num corpo tão tolhido quanto o dele...
Ele olhou-me algumas vezes...
Carrego seu olhar comigo...
e a imagem de seu corpo retorcido...
As lágrimas vêm ao lembrar da cena... porque... nem sei... mas não é pena dessa vez... acho que é por ver num espírito e seu corpo, a força da luta no caminho de ser melhor...
A força...
A emoção de me deparar com a força... que penso nunca teria...







Técnicamente, guardo uma questão: como palhaços interferem em situações extremas como essa? como fazem os doutores da Alegria? Como fazem os Palhaços sem fronteira?
Vou buscar...

terça-feira, 2 de março de 2010

COMPARTILHANDO UM PUNHADO DE RISO...

Eu procurava algo para ir a primeira vez ao hospital...
No blog dos Doutores da Alegria...
Achei esse relatório... e achei essa figura sem noção, esse tal de Dr. Mané... fiquei apaixonada... pelo texto... e acho que por ele tambémm... afinal o texto saiu de dentro dele...
Até peguei uma foto dele... pra ver que cara ele tinha (sim porque juízo vi logo que ele veio sem...)....
depois de ver o rosto dele, segue abaixo um escrito da figura...
Carol








Relatórios 2008: Hospital Santa Marcelina
Maio 15th, 2008 de Doutores da Alegria

Olá, ilustríssimo Dr. Pinheiro, minhas colegas de trabalho, amigos leitores do Hospital Santa Marcelina e pessoal da rua Alves Guimarães nº 73¹.

O Dr. Mané chegou. Chegou… Chegou! A viagem foi longa e demorada.

Saí em fevereiro do Hospital do Campo Limpo sem destino definido e fui para a rua Alves Guimarães nº 73. No caminho encontrei-me com Dr. Pinheiro, que estava na mesma situação. Caminhando e prosiando², avistei um punk loiro atravessando a rua. Então eu disse para o Dr. Pinheiro: “Aquele cara é o Supla?”. E o Dr. Pinheiro entendeu: “Vamos fazer uma dupla?”. Fiquei constrangido com o convite, não podia corrigi-lo, pois, por um lado pareceria que eu o estava chamando-o de surdo ou lesado, por outro lado, daria a entender que eu articulo mal as palavras, então respondi prontamente: “Sim! Sim! Sim!”. E aceitei. Outras duplas têm outros processos de escolhas: por afinidade artística e intelectual, por pressão e ameaça e por propina e chantagem.

Chegando lá na rua Alves Guimarães nº 73, encontramos outros Doutores. Para quem não sabe, o dia de escolha do hospital em que a dupla vai trabalhar durante o ano é chamado de “Dia de escolha do hospital em que a dupla vai trabalhar durante o ano”. É realizado anualmente e vou relatar agora como ocorreu este ano.

Começamos pela manhã com uma conversa sobre o destino dos hospitais, o destino dos Doutores, a vida, a arte e outros assuntos de maior relevância que não me lembro agora, mas eram. Como ainda era verão, a conversa ficou acalorada e a escolha se transformou numa disputa. Todas as duplas se uniram entre si mesmas, inclusive Batman e Robin, que foram responsáveis pelo bat - boca.

Negociações, palhaços ao telefone, desespero, dor e ranger de dentes, advogados, veterinários (se alguém passar mal), enfim… Já eram 8 da noite e o impasse continuava. Depois de uma disputa acirrada pelo Hospital Santa Marcelina, ganhamos de 3 sets a 0, com parciais de 25-21, 26-24 e 25-22, de outra dupla que prefiro não mencionar. Mesmo porque não lembro, desmaiei com uma última bolada.

Bem tudo isso para relatar como foi minha chegada ao Santa³. Mas agora passo a palavra ao meu parceiro Dr. Pinheiro.

Dr. Pinheiro: Prefiro não me declarar!

Dr. Mané: Então eu me declaro: EU TE AMO!

Grossário:

1 - rua Alves Guimarães nº 73 - a) Vide Guia de São Paulo pág. 149; b) local de grande concentração de palhaços, quase um circo; c) mais conhecida como “A sede”.

2 - Prosiando - Jeito caipira de conversar.

3 - o Santa - Forma simplificada de se referir ao Hospital Santa Marcelina, da rua Santa Marcelina nº 177, bairro de Itaquera, São Paulo Brasil, América do Sul, Planeta Terra, Via Láctea.

Dr. Mané Pereira (Márcio Douglas)
Doutores da Alegria São Paulo


In: http://blog.doutoresdaalegria.org.br/2008/05/15/relatorios-2008-hospital-santa-marcelina/

PALHAÇA DE HOSPITAL - JÁ PENSOU? QUE PRESENTE DA VIDA?

Comecei com uma cia. chamada Trupe do Riso a fazer experiências. É um estágio. Se eu for aprovada, serei contratada para levar meu palhaço ao hospital.

Estou muito contente!!!!

é uma oportunidade muito grande de aprendizado... de troca... de relacionamento.

Fui sábado. a primeira vez. Já escrevi um monte sobre isso (não aqui) e por isso não vou me alongar aqui. Mas foi muito bom! Aprendendo... aprendendo.... coisas para pensar, coisas para experimentar, coisas para melhorar, coisas para DEsCOBRIR....

olhar... relação... jogo de pista.... ganhei!!!!! ÊEEÊÊÊ, eu e o José.... que veio fazer exame de sangue... ele me disse que tem medo de cirurgia... e depois me desafiou a comer três bolachas de água e sal em 1 minuto.... pah! perdi o desafio.... ganhei no meu palhaço... mas sinto que poderia ter ganhado mais se eu tivesse me preocupado menos em ser engraçada e tivesse me atolado ainda com mais verdade no jogo... (dia 27 de fevereiro de 2010)

no hospital... a Júlia... levei comigo pra casa, quis voltar no outro dia... coisas para pensar... (28 de fevereiro de 2010)

estado... não abandonar o estado... o estar... PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DO MEU TRABALHO-PESQUISA nesse momento...






[fotos que a Nalvinha, essa mulher forte e sorridente que está entre nós, tirou em seu celular. Nós jogamos pista com ela e com o José. Rolou uma conexão muito legal entre nós! Muito sincera ali...
Da esquerda para direita: Dra. Provisória, vulgo Ludovica Pandolfa Bereba I, Nalvinha e Dr. Dondom]

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